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GDF defende projeto do novo viaduto, mesmo após veto do Iphan

10
Mai

GDF defende projeto do novo viaduto, mesmo após veto do Iphan

O Governo do Distrito Federal (GDF) insistirá no projeto de recuperação do viaduto da Galeria dos Estados que desabou em 6 de fevereiro. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (9/5) pelo secretário da Casa Civil, Sérgio Sampaio. O Executivo local defenderá os motivos técnicos que embasam a proposta de ampliação dos oito pilares, a qual  não foi aprovada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

“Embora respeitemos as atribuições do Iphan, entendemos que a questão primordial é a segurança”, afirmou. De acordo com Sampaio, o projeto ainda apresenta aspectos de economicidade e ecológicos. A recuperação deve custar R$ 15 milhões. A reconstrução total da estrutura, segundo o Palácio do Buriti, custaria R$ 27 milhões.

A ideia, segundo Sampaio, não é enfrentar o Iphan, mas chegar a um acordo. Uma reunião já ocorreu nesta semana e outra está prevista para quinta (10). “Se forem necessários alguns ajustes, vamos ver até onde podemos ir, garantindo a segurança. Não é uma atitude de enfrentamento”, frisou Sampaio.

O chefe da Casa Civil explicou que o Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DR) e a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) entenderam ser essa a melhor saída porque não se sentiram seguros em reproduzir o conjunto de viadutos construídos há 60 anos.

Pilares
Conforme revelou o Metrópoles no mês passado, o projeto de reconstrução prevê uma mudança arquitetônica nos pilares de sustentação da estrutura. A proposta estabelece a ampliação das oito colunas. Dessa forma, justificou o governo, seria eliminado o balanço do elevado, ou seja, o vão entre o pilar e a lateral da laje.

O GDF optou pelos grandes pilares porque preferiu não demolir o viaduto, indo contra sugestão de uma comissão formada por especialistas da UnB. O projeto híbrido, como chama a equipe do Buriti e que tem a chancela do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), previa a instalação de uma laje maciça, de 28mx198m, sem juntas de dilatação, sobre a atual estrutura de concreto armado.

O problema é que os pilares foram utilizados sem coerência com a concepção arquitetônica de Brasília, dizem especialistas. Mais distribuídos e menores, garantem a democratização da circulação. Mesmo conceito utilizado nos pilotis dos prédios residenciais no Plano Piloto. A disposição cria generosos espaços livres, permitindo a visualização da cidade. Com nova proposta, será impossível enxergar sequer o outro lado da via.

A decisão do Iphan de não aprovar o projeto foi tomada na segunda (7), após consulta a arquitetos e engenheiros da Universidade de Brasília (UnB). A superintendência do órgão no Distrito Federal não aprovou o projeto apresentado pelo DER-DF e pela Novacap “por entender que altera fortemente a arquitetura original e compromete a integridade arquitetônica e urbanística e, por extensão, do conjunto da Plataforma Rodoviária e sistema viário complementar”.

Segundo o órgão, que zela pelo título de Patrimônio Cultural da Humanidade conquistado por Brasília, foi recomendado ao GDF a apresentação de uma nova proposta, “visando o caminho da recuperação do viaduto, com diminuição, ao máximo possível, dos pilares, em relação às dimensões apresentadas no projeto em análise”.

Tragédia anunciada
Laudo pericial elaborado pelo Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), ao qual o Metrópoles teve acesso em primeira mão, confirmou que há tempos a estrutura pedia reparos.

Os peritos da Seção de Engenharia Legal e Meio Ambiente (Selma) estiveram nas ruínas e produziram um documento com 22 páginas exibindo as causas do desabamento ocorrido no dia 6 de fevereiro de 2018. Por sorte, ninguém se feriu. A perícia aponta omissão do poder público.

“Havia sinais externos de deterioração típicos e passíveis de identificação técnica por profissionais devidamente habilitados, sendo possível apontar e corrigir as patologias nas estruturas, não havendo que se falar em vício oculto“, destacou o documento.