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Falta de manutenção em rádios afeta atendimento de ocorrências

26
Abr

Falta de manutenção em rádios afeta atendimento de ocorrências

Os rádios usados pela Polícia Militar não funcionam em diversas regiões do Distrito Federal. A corporação está sem contrato de manutenção. O caso é analisado pelo Tribunal de Contas (TCDF). Os equipamentos servem justamente para dar maior agilidade ao atendimento de ocorrências e aos chamados de socorro da população. O problema ficou ainda mais grave após uma das antenas de Ceilândia ser atingida por um raio. Devido à descarga elétrica, foi danificada.

Além de Ceilândia, há registros de falta de comunicação com o 190 – a central de emergências, em Planaltina, Paranoá, Brazlândia e Sobradinho. Segundo policiais que pediram para não serem identificados por medo de represálias, sem o serviço, a população fica mais vulnerável à bandidagem. Em alguns casos, as ocorrências nem chegam a ser atendidas.

As viaturas das ruas não conseguem se comunicar com o Ciad (Centro de Informação e de Administração de Dados). Precisam ligar no quartel e tentar repassar a situação. Em seguida, tentam contato com as viaturas. É uma porcaria. E, para completar, essas unidades estão sem telefone porque a internet também não funciona \"
Policial militar do DF

De acordo com relatos de outros militares ouvidos pela reportagem, a falta de estrutura é mais um empecilho para a execução do trabalho deles na prevenção e no combate à criminalidade. Em março, o Metrópoles mostrou que as viaturas da corporação estavam limitadas a rodar apenas 40 quilômetros em função de problemas no contrato de fornecimento de gasolina.

O outro lado
Sobre a falta de manutenção, a PM admitiu “problemas no contrato”, mas tenta resolver o caso junto ao Tribunal de Contas do DF. A força destacou que “não há qualquer irregularidade, por parte da corporação, no processo licitatório”.

“Uma das interessadas em concorrer ao pregão entrou com recurso”, resumiu a nota. Segundo apurações da reportagem, no entanto, há questionamentos no processo sobre a capacidade técnica da empresa vencedora para executar o serviço. Sobre os atendimentos à comunidade, a corporação informou que as demandas são passadas via telefone aos policiais, não citando problemas no meio de comunicação.

Ainda conforme a PM, a empresa reclamante perdeu todos os recursos: “Resta, agora, aguardarmos parecer do Tribunal de Contas para saber se a corporação poderá contratar a empresa vencedora da licitação.

Modernização
Em 2015, o governo do DF divulgou que em dezembro daquele ano iria concluir um projeto de modernização da rede de informações de segurança pública. O sistema era para funcionar de forma semelhante ao das polícias de elite dos Estados Unidos, do Japão e da Europa.

O objetivo era integrar os serviços de telefonia via internet, comunicação por rádio digital e acesso rápido à web, independentemente se em áreas urbanas ou rurais. Os investimentos previstos eram de R$ 115 milhões – desses, R$ 110 milhões já haviam sido pagos em 2015 –, com recursos do Fundo Constitucional e do governo do Distrito Federal.

A  Polícia Militar informou ao Metrópoles que, atualmente, a infraestrutura de comunicação de dados e de radiocomunicações para atendimento de suas demandas administrativas e operacionais já foi instalada, assim como o acesso à internet pelas unidades policiais, serviços de telefonia e digitais.

Ainda de acordo com a PM, cerca de 75% da infraestrutura de comunicação digital está implementada e cobre 100% da área urbana do Distrito Federal.

Investigação
As licitações feitas nos últimos anos pela PM entraram na mira do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT). As investigações apontam que o coronel Francisco Eronildo Feitosa Rodrigues, ex-chefe do Departamento de Logística e Finanças (DLF) da corporação, seria o líder de uma organização criminosa especializada em cobrar propina para fraudar contratos públicos.

Agora, as autoridades trabalham para identificar as irregularidades. Feitosa chegou a ser preso na Operação Mamon, em novembro de 2017, mas foi solto neste ano e entrou para a reserva.

FNT: Metrópoles